A criança é curiosa. Quer explorar os lugares, as coisas, descobrir um mundo novo. Mas no dia em que ela leva um choque em uma tomada, ela nunca mais volta a pôr o dedo ali, porque dói e assusta.
Quando sentimos uma dor muito forte, aquela que estremece o nosso coração como em um choque, buscamos evitar qualquer lugar ou situações que venham a trazer aquela dor de volta.
Nos enclausuramos, porque simplesmente precisamos de alívio, de uma água que mata a sede, de uma sombra debaixo de um sol quente, de um casaco no frio, de um abraço na solidão, de um colírio nos olhos, de um lencinho para as lágrimas, de um banho no verão.
Abraçar aquilo que faz bem , que traz paz, alívio, respirando novo ar…
Acho que no casulo a lagarta chora lembrando de seus traumas do lôdo, de quando ela só via lama, e agora ela só, acha que chegou ao fim.
Não podemos tentar tirá-la de lá. É o tempo dela. Ela precisa chorar. Ela precisa tocar no fundo do poço para ter certeza que existe um fim.
Aí lembramos que precisamos respeitar o tempo das pessoas, pois é só nesse tempo, que o choro que está preso lá dentro vai sair, como uma cachoeira que deságua no mar, cheio de traumas que precisam ser afogados, esquecidos, apagados.
Do choque ao casulo
Chôro
Tempo
Pausa
Ar
Voar
Voar
Voar
Extraído do Livro – O Silêncio que fala
Autora: Diana Tompson

10 fevereiro, 2012 no 18:15
Que profundo..
Coincide com pensamentos que estou começando a elaborar a respeito da dor!
Amei *.*
15 fevereiro, 2012 no 21:48
que bom…
que Deus fale bastante contigo