Escritos de um livro

 

A criança é curiosa. Quer explorar os lugares, as coisas, descobrir um mundo novo. Mas no dia em que ela leva um choque em uma tomada, ela nunca mais volta a pôr o dedo ali, porque dói e assusta.

Quando sentimos uma dor muito forte, aquela que estremece o nosso coração como em um choque, buscamos evitar qualquer lugar ou situações que venham a trazer aquela dor de volta.

Nos enclausuramos, porque simplesmente precisamos de alívio, de uma água que mata a sede, de uma sombra debaixo de um sol quente, de um casaco no frio, de um abraço na solidão, de um colírio nos olhos, de um lencinho para as lágrimas, de um banho no verão.

Abraçar aquilo que faz bem , que traz paz, alívio, respirando novo ar…

Acho que no casulo a lagarta chora lembrando de seus traumas do lôdo, de quando ela só via lama, e agora ela só, acha que chegou ao fim.

Não podemos tentar tirá-la de lá. É o tempo dela. Ela precisa chorar. Ela precisa tocar no fundo do poço para ter certeza que existe um fim.

Aí lembramos que precisamos respeitar o tempo das pessoas, pois é só nesse tempo, que o choro que está preso lá dentro vai sair, como uma cachoeira que deságua no mar, cheio de traumas que precisam ser afogados, esquecidos, apagados.

Do choque ao casulo

Chôro

Tempo

Pausa

Ar

Voar

Voar

Voar

Extraído do Livro – O Silêncio que fala

Autora: Diana Tompson


O que caracteriza nossa “alma de BBB”?

Um texto escrito por Josaías Júnior.

O que caracteriza nossa “alma de BBB”?

Exibicionismo, ou biblicamente falando, falta de modéstia. Não é preciso ligar a televisão para saber que a maioria dos participantes do programa é escolhido não por ter um belo físico, mas por querer muito mostrar esse físico. Assim, a modéstia, característica a ser seguida (1 Tm 2.9) não tem espaço ali. E embora o verso de Paulo trate especificamente de mulheres, os homens também caem no erro da autoexibição. Deus criou o corpo e ele certamente é bom e belo, porém, após a queda ele deve ser exibido a apenas uma pessoa – o cônjuge em um casamento bíblico. Isso não é mero moralismo, mas amor a si e ao próximo.

Esse erro se repete, por exemplo, em nossas versões particulares de reality show – as redes sociais. Certa vez, falei algumas coisas impopulares no púlpito: questionei a necessidade que jovens cristãos e cristãs têm de publicar em seus álbuns virtuais fotos em poses sensuais ou mesmo trajando apenas biquíni, sunga, etc. Novamente, a base para isso não era moralismo, não eram os trajes em si ou meus costumes retrógrados, mas o que Paulo diz em 1 Coríntios 13: o amor não se porta de maneira inconveniente. Comentaristas afirmam que essa inconveniência tem a ver com a imoralidade e a falta de decoro característica de membros da igreja de Corinto. Se portar indecorosamente não é amar.

Nada mais inconveniente para pessoas que procuram uma vida santa (e muitas vezes batalham por uma mente limpa de fantasias e desejos) que ver irmãos ou irmãs em Cristo, com quem convivem semanalmente, colaborando para mais uma queda¹.

Desejo pela celebridade. Embora logo associemos a falta de modéstia à nudez ou trajes mínimos, esse não é apenas um problema de corpos, roupas e joias, mas do desejo humano de gloriar-se em si mesmo, de chamar atenção para si, e saber que os outros também estão olhando e admirando². Não foi esse o pecado dos construtores da Torre de Babel? Eles não queriam construir um prédio, queriam construir um nome: “Vinde, tornemos célebre o nosso nome” (Gn 11.4). Sim, eles queriam ser celebridades.

Enquanto criticamos aquelas mulheres e homens, podemos viver na mesma busca que eles. Eu gostaria que esse texto tivesse muitas visitas. Por quê? Para abençoar, para glorificar a Deus, para criar uma publicidade para meu site ou para ser conhecido? Se as pessoas são meu foco, descubro em mim um terrível pecado: o temor ao homem.

Novamente, volto-me às redes sociais: quanto tempo gastamos mostrando para as pessoas quão legais, inteligentes, simpáticos, divertidos e interessantes somos? Não queremos ser celebridades igual os BBBs… nosso círculo social já basta. Eu sou fã de redes sociais, sei que existem bons motivos para falarmos sobre nossa vida (quem não gosta de compartilhar bons momentos?), mas posso também ser motivado por uma necessidade de autoexaltação às vezes.

Falta de masculinidade e feminilidade. Ao ler isso, alguns associarão esse item às recentes inovações da Globo em convidar homossexuais, transexuais e travestis para o programa. Embora essa seja uma preocupação, ela é apenas um lado de um problema generalizado: homens que deixaram de ser homens. E isso inclui homens heterossexuais.

No BBB (no mundo e também na igreja), há muito tempo nós, homens, abandonamos o posto de líderes, cabeças e pastores. Seja por covardia, por preguiça ou imaturidade, o que vemos hoje são garotos (de todas as idades) deixando o chamado divino para sermos Vice-gerentes da Criação a fim nos dedicarmos a nossos brinquedos. E, infelizmente, um dos brinquedos favoritos de alguns de nós são as garotas.

Em seu livro Qual a diferença?, John Piper nos lembra que a masculinidade madura manifesta-se na proteção e sustento das mulheres ao nosso redor. Assim, aquele que vê a mulher como apenas uma presa, como mais uma para pegar na balada, uma parceira de uma noite, um brinquedo para divertir-se, pode ser considerado pelos amigos o maior de todos os homens, o herói dos heróis e um exemplo para ser seguido. Mas, aos olhos de Deus, ele deixou de ser macho há muito tempo.

“Eu não sou piranha, mas não sou santa. Eu sou mulher”, já disse uma participante. Como consequência do nosso fracasso masculino (e colaborando com ele), as mulheres tendem a abandonar seu chamado de se tornarem cooperadoras e auxiliadoras de Adão. A imodéstia não é apenas um desejo de exibição, mas uma tentativa de controlar o outro. Ao mesmo tempo, porém, aceitar uma “ficada”, uma relação fast-food, os braços de um “pegador” é concordar em participar do jogo que os homens propõem – é deixar de ser uma cooperadora idônea, uma parceira (o chamado de Gênesis 1 vem para mulher e homem), para se tornar controladora ou controlada.

Amor ao dinheiro, ou o culto a Mamon. Pelo prêmio do BBB, vale mentir, se exibir, ofender, trapacear e manipular – mas “isso é um jogo”, dizem os participantes. Lembro-me daquela história sobre a proposta que um senhor faz a uma garota: “você dormiria comigo por 1 milhão?”. Ela prontamente responde que sim. Em seguida, o homem apresenta outra proposta: “e por 5 reais?”. Indignada, a moça responde: “Nunca! Quem você pensa que eu sou?”. O senhor prontamente responde: “Isso nós já sabemos. Agora estamos apenas discutindo o preço”.

A verdade, porém, é que criticamos os BBBs, mas já nos vendemos por menos que 1 milhão e meio de reais. Alguns de nós já tiraram o dinheiro da carteira dos pais (fiz isso quandro criança), enquanto outros sonegam impostos. Também podemos ser funcionários picaretas (somos pagos pra trabalhar, lembra?). Carregamos carteirinhas falsas para o cinema e amamos jogar na loteria. Por trás disso, encontra-se o amor ao dinheiro, a adoração a Mamon, a origem de todos os males. Quando pensamos que o dinheiro nos trará conforto, alegria, sustento, ele passa a ditar as regras, não o Senhor. E assim surge mais um ídolo.

Autonomia moral. A frase de um participante do programa resume bem esse tópico: “O importante é o que eu tô pensando. Se eu me aceito, acho que isso é o que importa”. Para homens e mulheres da nossa sociedade não existem mais absolutos morais ou mesmo a noção de certo ou errado, o que importa é o que sinto em relação à minha decisão. Se desejo isso e meu coração não me reprova, é certo fazer. Se me sinto mal, não é minha consciência ou a lei natural que Deus nos deu, mas a pressão de uma sociedade conservadora.

Mesmo cristãos professos abraçam tal ideia, quando afirmamos, por exemplo, que não sentimos algum tipo de “toque do Espírito Santo” que nos impeça de abandonar uma prática errada ou tomar uma decisão certa. Entendemos que se apenas estivermos nos “sentindo-se bem” em relação a Deus, não há problema no que fazemos. O que esquecemos é que a Lei revela a vontade de Deus e que precisamos ser sondados sempre (Salmo 119.4; 139.23,24), pois nosso coração é enganoso (Jr 17.9).

Buscar o certo e o errado em nosso interior nos conduzirá ao erro. Precisamos pedir iluminação ao Espírito para que compreendamos a Lei e suplicar que Ele nos guie e nos transforme. Caso contrário, estaremos caindo no erro de nos fazermos senhores de nossa própria história. E nada pior que substituir um Grande autor por um pequeno e incompetente imitador.

Pequeno e incompetente

Se agimos e pensamos dessa forma, isso se deve a uma falha básica em uma importante pressuposição: nossa visão de Deus é limitada demais. O glorioso Deus da Bíblia, o grande Criador e Redentor, foi substituído por algo mais parecido com nós mesmos – um deus ausente, indulgente, distante e que nos adora. Errando no primeiro ponto, todos os outros se corrompem.

Quando não procuramos entender e conhecer quem é o Deus Triuno, acabamos sem entender quem somos, o que é certo ou errado, para que fomos criados e quem é realmente o Senhor da História. Não fomos feitos para sermos vistos e glorificados, fomos feitos para contemplar e celebrar o Soberano Rei.

Em Cristo,

Josaías

Extraído do site http://iprodigo.com/textos/alma-de-bbb.html


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Gratidão e Despedida

Hoje olhei no retrovisor que acompanha a minha vida, e vi lá trás tudo o que passei neste ano de 2011

Um ano que passou tão rápido, tantas experiências vividas, tantos sabores e dissabores, um gosto de mel e gosto de fel…

Entendi que pessoas aparecem em sua vida e permanecem…outras, no entanto, aparecem…cumprem o propósito de Deus para ti…e depois somem, como se tudo aquilo fosse um sonho. E quando fecho os olhos não consigo voltar para o mesmo sonho, pois a vida continua…pessoas vêm e pessoas vão, e isso não vai parar nem se findar.

Percebi que eu não tenho a idade que tenho, e nem quero ter. Quanto mais velha ficar, mais nova serei…e acho que “velha” é uma palavra muito dura. Usarei experiente ou madura…para dizer lá na frente o quanto mais nova fiquei.

Descobri que amo música latina, pop rock, surfmusic, músicas lentas, agitadas. Não importa. Tenho vários ritmos dentro de mim e consigo dançar conforme a música, pois a alma que baila é a alma que sorrí, mesmo com lágrimas, ela sorrí.

Algumas músicas me emocionaram realmente, e essa aqui me fez pensar:

Entendi que não dá para me desligar da arte, da poesia, da natureza, de tudo o que há de lindo nesse mundo…pois o oposto disso é cruel, e aprendi a lidar com o cruel e o miserável também, mas sempre olhando de volta na janela aquele nascer do sol que me reanima a prosseguir confiante, mesmo que tudo ao redor sejam trevas.

Continuei sendo perceptiva a esses dois lados do mundo

Enxerguei a simplicidade como sendo a excelência máxima e vou levar esse olhar para o novo ano, não quero perdê-lo…

Andei nos palácios e nas choupanas e entendi que um coração humilde e feliz sabe viver nesses dois lugares de forma satisfeita e grata, não importa onde esteja.

Notei que ainda amo os livros e que eles me fizeram muita companhia e que por causa da inspiração que encontrei neles, comecei a escrever os meus.

Entendi que eu escolho o que eu faço com o meu tempo

Compreendi que realmente gosto de filé à parmegiana, camarão, sushi e crepe

E que realmente não gosto de beterraba

Entendi que algumas pessoas são pra sempre em sua vida, mesmo que você fique cinco anos sem conseguir encontrá-las.

Resolvi que nunca mais vou deixar de expressar o que sinto, pois quando expresso, vejo que vivo

Percebi que não tenho esses 819 amigos que está listado no meu facebook…e que talvez daqui a pouco eu vou aceitar mais um…820. Amigo é aquele que se importa contigo, no momento de dor, no momento de paz, que não força situações, apenas te compreende e te entende, e te ama apesar das diferenças.

Vi que tive amigos virtuais que se tornaram muito reais, e amigos reais que se tornaram muito virtuais

E que tenho poucos amigos…mas que valem por mil

Descobri que aquilo que agente fala ou escreve, mostra quem realmente somos

e que eu realmente gostei do deserto do Atacama, o milagre do deserto florido

Fui encontrada por pessoas diferentes de mim…que me completaram

Fui encontrada por pessoas parecidas comigo…que me completaram

É…a palavra “completaram” escritas duas vezes. É redundante, mas é realidade.

Me lancei com coragem em situações, e em outras , com medo, fugi

Descobri que ainda preciso aprender a confiar

Tive a certeza que Deus é tudo para mim. É Ele quem me faz prosseguir, apesar de minhas limitações

Vi que tenho dois lados. O da ovelha e o da leoa.

Ovelha dócil e ensinável

Leoa ousada e corajosa

e que preciso desses dois lados juntos

Tomei decisões difíceis e que não posso me isentar delas

e que o que eu quero mesmo é amar…e ser amada

Que o Novo ano venha com cheiro de flores do deserto do Atacama,

e que seja lindo, lindo, muito lindo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


“Quarto dia”

As vezes ouço passar o vento; e só de ouvir o vento passar, vale a pena ter nascido. (Fernando Pessoa)

Acredito que vale a pena viver momentos de simplicidade. Apenas momentos? Uma vida de simplicidade permanente.

Quando estou na Ilha de Deus sinto o simples de uma forma absurda, e lá encontro as pessoas que são verdadeiramente ricas. Não ricas de posses ou ouro…falo de outra riqueza. A melhor das riquezas.

Um dia me disseram que a simplicidade é a excelência máxima. É verdade.

Tem sido dias bons de trabalho neste lugar. Relacionamento com Deus e relacionamento com as pessoas não pode faltar. Um não é completo sem o outro. E esse lance de conviver me atrai muito, pois é na convivência que captamos  o que é necessário para cada um, o que podemos fazer de melhor, o amor na prática.

Momentos onde podemos levar uma palavra que vai tocar o coração trazendo novidade de vida e esperança.

Hoje meditamos no Livro de João, capítulo 11 e pude realmente perceber nas atitudes de Jesus, o como Ele amava e se interessava por seus amigos, o como Ele se comovia e fazia tudo para glorificar o nome de Seu Pai.

Amem as pessoas que estão ao seu redor, no momento de alegria esteja lá, no momento de dor…também.

Em João 11, Marta, Maria e Lázaro precisaram de Jesus. Lázaro tinha morrido. Jesus soube da notícia.

Incrível, pois na mesma hora Jesus poderia ter se levantado e ter ido até lázaro para curá-lo…mas não foi bem assim., Os planos de Deus são maiores.

Quatro dias depois, foi que Ele apareceu por lá.  Jesus não amava e não se importava com Lázaro? Ele deveria ter ido logo?

Ele apenas sabia o que iria acontecer…não precisava se apressar. Ele sabia que um milagre iria acontecer e Ele queria que muitas pessoas, muitas, muitas, estivessem perto para ver o Pai sendo glorificado.

Depois de quatro dias dá pra juntar muita gente né?

Acredito que o plano de Deus é maior do que aquilo que pensamos.

Talvez você esteja passando por alguma luta, provação, dores, angústias…você conta os dias e nada acontece, mas o seu “quarto dia” está chegando, e com ele, o Salvador para ressucitar aquilo que porventura estava morto.

Lázaro ressucito apenas com as palavras de Jesus: “Lázaro, vem para fora”

É tempo de não apenas vermos os milagres, mas fazermos parte deles para que toda uma multidão que dizia que não havia mais esperança, seja surpreendida pela glória de Deus.

É assim que creio

E irei sempre crer…”Se creres, verás a glória de Deus”

Orem por este trabalho na Ilha de Deus. O Pai tem nos abençoado e estamos felizes por isso. Hoje foram doadas algumas cadeiras para nos reunirmos com alguns moradores na tenda. Queremos agradecer aos Pastores Eduardo e Ana Tompson pelo coração desprendido nesta obra.

Deus abençõe a todos vocês.

Abraços

Diana Tompson

 

 


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